Águas Emendadas é reconhecida internacionalmente por fazer conexão entre água, cultura e patrimônio

Ao completar 50 anos, em 2018, a Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE) se torna o sexto lugar do mundo e o primeiro da América Latina a receber o Escudo de Água e Patrimônio do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-Holanda).

A entrega será feita na ESECAE, no dia 20 de novembro, às 09h30, em cerimônia realizada em parceria do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (ADASA) e Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (CIRAT), que fizeram a mobilização para o reconhecimento.

Localizada no extremo nordeste do Distrito Federal, a uma distância de 50 quilômetros do centro de Brasília, a ESECAE abriga muito mais que recursos hídricos estratégicos (Córrego Fumal e Ribeirão Mestre D’Armas). Para começar, o que dá origem ao seu nome é um singular e importante fenômeno natural em que, de uma mesma vereda, vertem águas para duas grandes bacias hidrográficas (Rio Maranhão, que deságua no Rio Tocantins; e São Bartolomeu, que flui para a Bacia do Rio Paraná).

Além de ser fonte de captação de água para abastecimento público da região, operada e mantida pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (CAESB), Águas Emendadas é considerada importante, até mesmo por organismos internacionais, porque nela estão representados, e muito bem preservados, diferentes espécies do Cerrado. Tanto que, em 1992, pelo seu excelente estado de conservação, a Estação Ecológica passou a integrar a área-núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado, criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Além da relevância ambiental, a importância histórica e patrimonial da ESECAE é marcante, tendo aparecido no primeiro registro da região, feito no Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central, coordenada por Luís Cruls, em 1892. A Lagoa Bonita, bem como a vereda onde encontra-se o fenômeno hidrológico conhecido hoje como “Águas Emendadas”, foi referência usada pela Missão Cruls na escolha da área da Capital Federal.

O Escudo de Água e Patrimônio no Brasil

Em 2015, o ICOMOS-Holanda iniciou o reconhecimento de sítios com o Escudo Água e Patrimônio (Water and Heritage Shield) para locais, em todo o mundo, que sejam significativos na conexão entre o tema das paisagens hídricas, a cultura e o patrimônio. Até o momento, apenas cinco locais em todo o mundo receberam o reconhecimento. São eles Magere Brug (Amsterdam, Holanda – 2016), Stille Sluis (Gouda, Holanda – 2016), BPTH (Holanda – 2016), Porto de Antuérpia (Bélgica – 2017), Barragem de Shimen (Taiwan – 2017).

A proposta que deu origem à qualificação da Estação Ecológica de Águas Emendadas com o Escudo de Água e Patrimônio teve início em maio de 2018, na barragem Shimen, em Taiwan. O Conselheiro do CIRAT e Embaixador de Água e Patrimônio do ICOMOS-Holanda, Henk Van Schaik, e outros participantes de uma visita técnica debateram a possibilidade de trazer o reconhecimento ao Brasil.

No avanço da conversa, a Estação Ecológica de Águas Emendadas foi logo identificada como uma área emblemática e com conexões culturais, históricas e naturais de primeira grandeza. As articulações no âmbito do Governo do Distrito Federal foram feitas com o IBRAM e a SEMA, que receberam com entusiasmo a possibilidade de trazer o primeiro Escudo de Água e Patrimônio para a América Latina e para o Brasil. No evento do dia 20, o Escudo de Água e Patrimônio será inaugurado com a presença do Presidente do ICOMOS-Holanda, de autoridades do Governo do Distrito Federal e convidados.

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Foto: Eduarda Brogni

Fonte: http://www.sema.df.gov.br/aguas-emendadas-e-reconhecida-internacionalmente-por-fazer-conexao-entre-agua-cultura-e-patrimonio/


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